As pessoas que roncam muito alto normalmente são alvos de piadas e vítimas de cotoveladas durante a noite pelos seus cônjuges, porém o ronco não é coisa para se dar risada. Embora o ronco alto seja, no mínimo, um problema social, que pode trazer problemas de relacionamento, para muitos homens, mulheres e até crianças, esse ronco habitual pode ser um sinal de uma desordem que causa risco potencial à vida: a Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS).
O Cirurgião Bucomaxilofacial na sua formação é treinado para diagnosticar e tratar dessa condição.
1. O RONCO NÃO É NECESSARIAMENTE APNÉIA DO SONO
É importante distinguir entre o ronco e a SAOS. Muitas pessoas roncam. É estimado que aproximadamente 30 a 50% da população nos Estados Unidos da América do Norte roncam uma vez ou outra, alguns até de maneira significativa. No Brasil, não existe uma pesquisa similar.
Todos já escutaram de histórias de homens e mulheres cujo ronco pode ser escutado em outros quartos bem distantes de onde estão dormindo. Ronco dessa magnitude pode causar vários problemas, incluindo discórdia marital, distúrbios do sono, e episódios de despertamento, algumas vezes causados pelo próprio ronco. Mas, o ronco nem sempre é igual à SAOS. Às vezes é somente uma inconviniência social.
Alguns tratamentos não-médicos que podem aliviar o ronco incluem:
A)PERDA DE PESO - tão pouco quanto 5 quilos podem ser suficientes para fazer uma grande diferença.
B)MUDANÇA NA POSIÇÃO DE DORMIR - você tende a roncar mais quando dorme de costas para o colchão. Portanto, dormir de lado pode ser útil.
C)EVITE ÁLCOOL, CAFEÍNA E COMIDAS PESADAS - especialmente duas horas antes de ir para a cama.
D)EVITE SEDATIVOS - eles podem relaxar os músculos da sua garganta e aumentar a tendência de obstrução do fluxo aéreo que está relacionado com o ronco.
 Figura 1. Dormir de costa é uma posição propícia para o ronco.
2. SINTOMAS DA SAOS
Aqueles que têm SAOS frequentemente não conhecem a sua condição e acreditam que dormem bem. Os sintomas, que usualmente causam esses indivíduos procurarem ajuda, são sonolência diurna ou reclamações de ronco e cessação da respiração, observados pelo cônjuge. Outros sintomas podem incluir:
- Roncos com pausas da respiração (apnéias);
Sonolência excessiva durante o dia;
- Engasgamento e afogamento durante o sono;
- Sono inquieto;
- Problemas com a função mental;
- Falta de julgamento ou dificuldade de concentração;
- Perda de memória;
- Facilidade para se enraivecer;
- Pressão arterial alta;
- Dor no peito durante a noite;
- Depressão;
- Problemas com peso excessivo;
- Pescoço largo;
- Obstrução do espaço aéreo faríngeo;
- Cefaléias matutinas;
- Libido reduzida;
- Frequentes idas ao banheiro durante a noite.
3. IDENTIFICANDO A SAOS
Diferente de um simples ronco, a Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono é uma condição que ameaça a vida e requer um atendimento específico; é um problema de saúde. Os riscos da SAOS não diagnosticada podem incluir ataque cardíaco, derrame cerebral, dores de peito (angina pectoris), batimentos cardíacos irregulares, pressão arterial alta, e diminuição da libido. Em adição, a SAOS causa sonolência durante o dia que pode resultar em acidentes, perda da produtividade e problemas de relacionameno interpessoal. Os sintomas poderão ser pequenos, moderados ou severos.
A SAOS é muito comum. Um em cada 5 adultos tem pequenos sinais e sintomas e 1 em cada 15 adultos tem SAOS moderada. Incrivelmente, ela afeta 1% das crianças. Durante o sono, o espaço aéreo superior pode ser obstruído pelo excesso de tecido, tonsilas aumentadas e por uma língua grande. Também, contribuindo com o problema, os músculos do espaço aéreo faríngeo, estando relaxados, irão cair durante o sono fechando o espaço nasal e o posicionamento da mandíbula será mais posterior.
A cessação da respiração ou “apnéia” inicia impulsos a partir do cérebro para acordar a pessoa, afim de que o processo de respiração seja reiniciado. Esse ciclo se repete muitas vezes durante a noite e pode resultar em privação do sono e em um número de problemas relacionados com a saúde. A SAOS é geralmente definida como a presença de mais de 30 apnéias durante um período de sete horas de sono. Em vários casos, períodos de não respiração podem durar de 60 a 90 segundos e podem recorrer até 500 vezes durante a noite.
Caso você exiba esses sinais e sintomas da SAOS, é muito importante que você consulte um Ciurgião Bucomaxilofacial para um exame completo e um acurado diagnóstico.
Na sua primeira visita, o Dr. Éber Stevão tomará nota da sua história médica e executará um exame da cabeça, face e do pescoço, à procura de problemas que possam contribuir com os seus problemas de sono e respiração. Uma entrevista com o seu cônjuge ou outro membro da família sobre seu sono e forma de acordar, poderá ser necessária. Caso haja suspeita de uma desordem do sono, você será encaminhado para uma clínica do sono que irá monitorar os padrões noturnos do seu sono, através de um teste especial chamado polissonografia.
A polisonografia exigirá que você durma nessa clínica, enquanto um vídeo monitora o seu sono e coleta dados acerca do número e tamanho de cada cessação da respiração ou de outros poblemas que causem distúrbio no seu sono. Durante a polissonografia, todo esforço é feito para não atrapalhar o seu sono.
 Figura 2. Paciente dormindo numa clínica do sono e realizando a polissonografia.
4. TRATAMENTO EFETIVO PARA A SAOS
A intervenção cirúrgica é uma alternativa segura e eficaz para o paciente que sofre da SAOS. O Dr. Éber Stevão irá medir o seu espaço faríngeo em vários pontos, a fim de encontrar qualquer fluxo de ar anormal do nariz e da boca para os pulmões. Dr. Éber Stevão tem um extenso treinamento em todos os procedimentos cirúrgicos indicados para a SAOS, aprendidos durante seu Pós-Doutorado nos Estados Unidos da América do Norte.
4.1 - UVULOPALATOFARINGOPLASTIA (UPFP) MODIFICADA
Se o fluxo de ar pára somente ao nível do palato mole, a UPFP pode ser indicada. Esse procedimento encurta e estica o palato mole, além de remover a úvula. A técnica executada pelo Dr. Éber Stevão difere totalmente da UPFP tradicional. É importante que você sabia que a UPFP isolada não é o tratamento para a SAOS, de forma alguma.
 Figura 3. Desenho esquemático mostrando a anatomia da região naso e orofaríngea.
 Figura 4. Desenho esquemático mostrando o resultado da UPFP modificada.
4.2 - SUSPENSÃO DO OSSO HIÓIDE
Caso o colapso ocorra ao nível da base da língua, a suspensão hoidéia está indicada. O osso hióide tem um formato da letra “U” e está localizado no pescoço, acima da cartilagem tireóide (o pomo de Adão). O procedimento cirúrgico fixa o osso hióide à cartilagem tireóide e ajuda a estabilizar essa região do espaço faríngeo inferior. É importante avisar que a suspensão hioidéia isolada não é o tratamento para a SAOS, de forma alguma.
 Figura 5. Desenho esquemático mostrando a anatomia da região do pescoço.
 Figura 6. Desenho esquemático mostrando o resultado da cirurgia da suspensão hioidéia.
4.3 - AVANÇO DO GENIOGLOSSO
A cirurgia do avanço da musculatura genioglosso foi especificamente desenvolvida para tratar da Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono e está indicada para abrir o espaço aéreo superior. O procedimento consiste na fixação do ligamento anterior da língua, desta forma, reduzindo o grau de deslocamento da língua para dentro da garganta. Essa cirurgia é frequentemente executada em conjunto com outros procedimentos como a UPFP modificada e a suspensão hioidéia.
 Figura 7. Desenho esquemático mostrando a anatomia da base da língua.
 Figura 8. Desenho esquemático mostrando o resultado após a suspensão do genioglosso.
4.4 - AVANÇO MAXILOMANDIBULAR
É um procedimento que move cirurgicamente a maxila e a mandíbula para frente. Pelo fato dos ossos serem movimentados para frente, os tecidos moles da língua e do palato também são adiantados, abrindo o espaço aéreo superior. Para a grande maioria dos pacientes, esse é o único tipo de procedimeno cirúrgico que cria o espaço aéreo necessário para curar a SAOS. Dos procedimentos acima é o único que pode ser executdo isoladamente, a fim de tratar efetivamente da SAOS.
 Figura 9. Desenho esquemático mostrando a anatomia dos maxilares.
 Figura 10. Desenho esquemático mostrando o resultado após o avanço maxilomandibular.
5 - FALE COM O SEU CIRURGIÃO BUCOMAXILOFACIAL
A Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono, é uma condição muito séria e os indivíduos que dela sofrem, podem não notar que têm o problema. Caso você ou alguém que você conhece ronca alto e acorda bruscamente buscando ar, você deverá buscar ou orientar essa pessoa a procurar um Cirurgião Bucomaxilofacial.
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